FERNANDO ARIAS. Parte 02
11.3. O lugar da Palavra
A IGMR indica a conveniência de que o ambão seja fixo e esteja colocado de tal maneira que os ministros ordenados e os leitores possam ser vistos e bem escutados. Do ambão se proclamam unicamente as leituras, O Salmo Responsorial e o pregão da Páscoa, também pode ser o lugar da homilia e das intenções da oração universal (n. 309). Além das indicações da IGMR, as premissas da Introdução ao Lecionário (Ordo lectionum Missae - OLM) indicam-nos mais alguns detalhes sobre o lugar da Palavra de Deus no templo.
No recinto da igreja, deve-se dispor de um lugar elevado e com a devida nobreza, adornada, com sobriedade, que corresponda à dignidade da Palavra de Deus (OLM, n. 32).” Ao mesmo tempo, deve facilitar que os fiéis entendam bem a proclamação, ajudados, se preciso, por meios técnicos (n. 32, 34). Não é conveniente que subam até ele outras pessoas que não sejam os leitores, o diácono e o sacerdote, como seria o caso do comentarista, o cantor ou o diretor do coro (n. 33; 16).
O espaço do ambão deve ser amplo, pois em certas ocasiões nele devem estar vários ministros, que deverão dispor de luz suficiente para ler (n. 34). Por sua vez, o Ritual de Bênçãos acrescenta que o ambão deve recordar aos fiéis que a “mesa da Palavra de Deus” está sempre posta (Ritual de Bênçãos, n. 900).
Um exemplo notável do ambão é o da basílica de São Clemente Romano, na Urbe. A ele se acessava a partir de uma escada e descia de uma segunda escada simétrica, que permitiam os movimentos processionais (figura 29).” Nó século XX, podemos destacar, por sua importância para a história da arquitetura contemporânea, a ermida de Notre Dame de Ronchamp, construída nos anos 50. Le Corbusier dispôs nela dois púlpitos monumentais — não foram projetados originalmente como ambões, embora sua disposição e dignidade façam com que possam ser empregados bem para esse fim — para a pregação: um no interior e outro no exterior da igreja, para as celebrações ao ar livre.
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Vide: IGMR, n. 309 e Ritual de Bençãos, n. 900. Por outro lado, na Exortação Apostólica de Bento XVI após o sínodo dos bispos sobre a Palavra de Deus (2008), indicava-se que os Padres sinodais haviam sugerido que nas igrejas se destinasse um lugar de relevo, visível e de honra para se colocar o livro que contém a Palavra de Deus, também fora da celebração (BENTO XVI. Exortação Apostólica Pós-Sinodal Verbum Domini: sobre a Palavra de Deus na Vida e na Missão da Igreja. Documentos Pontifícios 6. Brasília: Edições CNBB, 2011, n. 68).
30 Por isso, deveria considerar a possibilidade de dispor, no templo, de um lugar com um meio de amplificação de voz e um púlpito onde apoiar um livro. A partir desse espaço, o comentarista ou cantor pode intervir. Este lugar deve distinguir-se claramente tanto do espaço da sede quanto do ambão. Crispino Valenziano defende, em Architetti di chiese (p. 156), situar o conjunto dos “ministros da Palavra” (coro, leitor) em torno do ambão, no modelo da schola cantorum.
O nome “gradual”, com que se denominou tradicionalmente o salmo responsorial, provém destes elementos arquitetônicos que são as escadas - formadas por gradus (degraus) - pelas quais se acessava o espaço do ambão.
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1.1.4. O silêncio
O silêncio tem algo a ver com o espaço? Pode-se dizer que o espaço litúrgico, além de ser um espaço de ação, é também espaço de silêncio? As referências ao silêncio como parte da celebração são constantes ao longo de toda a IGMR. No número 45, indica-se expressamente que, já desde antes da celebração, é aconselhável que se guarde o silêncio na igreja, na sacristia e nos lugares mais próximos, para fomentar um “clima” propício à participação.” Em algumas igrejas romanas, pode-se observar, nas sacristias, cartazes em que está escrito: SILENTIUM. Uma relação orgânica adequada desses espaços auxiliares com a nave e o presbitério ajudarão neste fim. Não teria sentido o desenho de uma sacristia que dificultasse guardar na procissão o devido recolhimento dos sentidos, seja por sua distância em relação à nave ou pela ausência de sinais que nos indique sua relação com o espaço sagrado.
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32 Também o OLM (n. 28) afirma que o diálogo entre Deus e os homens, que se realiza com o auxílio do Espírito Santo, requer breves momentos de silêncio, para que neles a Palavra de Deus seja acolhida interiormente e se prepare a resposta por meio da oração.
33 “Favorecem tal disposição interior, por exemplo, o recolhimento e o silêncio durante alguns momentos pelo menos antes do início da liturgia” (SCa, n. 55).
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1.1.5. O espaço para o canto e a música
Em relação ao espaço para a música e o canto,** o Graduale simplex — livro litúrgico que contém os modos mais simples do canto da missa — contempla a intervenção de dois agentes diversos: um cantor que inicia as antífonas e orienta a execução do salmo e um coetus fidelium - todo o coro ou um grupo mais reduzido dentro dele - que deve cantar as antífonas e aq partes responsoriais dos salmos (n. 18). O Ordo cantus missae, por sua vez, prevê igualmente a intervenção em diversos momentos da ação litúrgica de um grupo de cantores, assim como da um cantor apenas ou de um pequeno grupo que guie a assembleia (Ordo cantus missae, n. 1-2:5. cf. IGMR, n. 102-104), e que os componentes do coro possam acessar a comunhão (n. 17, também: IGMR, n. 86). O grupo de cantores é uma parte do povo que exerce essa função particular a favor da comunidade (IGMR, n. 103).
Também deve haver um lugar adequado para o órgão e demais instrumentos musicais, para que possam ser de ajuda tanto para os cantores como para o povo, e onde possam ser comodamente ouvidos quando intervêm sozinhos (IGMR, n. 313). Essas considerações sugerem-nos que é mais consistente que os membros do coro e aqueles que tocam os instrumentos musicais ocupem o mesmo espaço e que estejam na nave. Assim, manifesta-se que, possuindo uma função e, portanto, um espaço particular, formam, ao mesmo tempo, parte da assembleia.”
Historicamente, o lugar destinado ao coro possui um espaço próprio no templo, que destaca a centralidade da música na celebração litúrgica cristã. Sua localização tem sido muito variada: desde a schola cantorum das basílicas primitivas até o espaço fechado, no centro da nave, das catedrais espanholas, passando pelo tramezzo ou jubé medieval, onde podia, também, situar-se o órgão. Podemos encontrá-lo na tribuna elevada em algum ponto da nave, como na Capela Sistina do Vaticano, ou sobre o átrio imenso de entrada. Do mesmo modo, encontrámo-lo no ambiente do presbitério: em uma tribuna como em São Lourenço de Florença, obre de Filippo Brunelleschi, ou no plano atrás do altar (retrocoro), como o de Bernini em Santa Maria del Popolo.
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Segundo a instrução de 1967 Musicam sacram, da Sagrada Congregação dos Ritos, o coro pode ser formado, segundo os costumes do lugar e das circunstâncias, por homens ou crianças, sozinhos ou juntos, de homens e mulheres ou apenas de mulhe” res (n. 22).
A instrução parece contemplar a possibilidade de que o coro se situe no presbitério, já que afirma que “quando o grupo de cantores tenha também mulheres, este grupo deve situar-se fora do presbitério” (n. 23 in fine). Nesse sentido no caso de uma comunidade na qual o coro é formado exclusivamente por clérigos, parece que seu lugar adequado seria é presbitério (SAGRADA CONGREGAÇÃO DOS RITOS. Instrução Musicam Sacram (MSa): sobre a música na sagrada liturgia).
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1.2. AO LONGO DO ANO LITÚRGICO
Algumas celebrações particulares do ano litúrgico merecem uma atenção particular por suas exigências espaciais específicas. Seguiremos, nesse caso, as indicações correspondentes a cada celebração no Missal Romano.
A) DOIS DE FEVEREIRO
Na festa da Apresentação do Senhor, tem lugar a bênção e a procissão das velas antes da missa. Pode-se realizar uma procissão ou uma entrada solene. A procissão começa em uma igreja menor ou em um lugar adequado fora do templo.” Depois da chegada do sacerdote e dos ministros, acendem-se as velas e as asperge com água benta (n. 5), continuando a procissão até o altar (n. 8-9). No caso de entrada solene, os fiéis reúnem-se em um lugar adequado que pode ser em frente a porta da igreja ou dentro dela. Depois de acender as velas, o sacerdote as benze e se forma a procissão de entrada até o altar (n. 9-11).
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Na nave da ermida de Ronchamp, à qual acabamos de nos referir, existe uma tribuna elevada pensada para o coro. Ela atravessa a parede da frente e conecta o interior e o exterior do templo, onde uma das fachadas serve como um retábulo para as celebrações ao ar livre.
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B) O ESPAÇO DA QUARESMA
Durante o tempo da Quaresma, o Missal Romano recomenda vivamente que se observe | costume das congregações da Igreja local, à maneira das estações romanas, em alguma igreja ou santuário particular da diocese. No caso que ocorra previamente uma procissão essa deve partir de uma igreja menor ou de outro lugar adequado. Em seguida, pode acontece, a missa ou outra celebração (Missal Romano, Tempus Quadragesimae, n. 1). Também no tempo da Quaresma acontece a bênção e a imposição da Cinza aos fiéis. Essa ação requer alguns elementos auxiliares onde seja possível depositar a cinza que é distribuída e onde o sacerdote possa lavar as mãos ao concluir o rito. Por outro lado, as cruzes e imagens, da igreja — ao menos as principais — devem estar dispostas e ter os elementos auxiliares necessários para que possam estar cobertas desde o V domingo da Quaresma até a Vigília Pascal.
C) DOMINGO DE RAMOS
O Domingo de Ramos, a comemoração da entrada do Senhor em Jerusalém, tem uma dinâmica processional e espacial que deve ser considerada atentamente. A liturgia prevê três modos de ser realizada: a procissão, a entrada solene e a entrada simples.” No caso da procissão, 0 povo reúne-se em alguma igreja menor ou em outro lugar adequado fora do templo, tendo os ramos em mãos (n. 2). Depois da saudação e da monição do sacerdote, aspergem-se os ramos e o diácono proclama o evangelho da entrada em Jerusalém e pode pregar uma breve homilia (n. 5-8). Em seguida, forma-se e coloca-se em marcha a procissão até a igreja (n. 9) e, já na sede, o sacerdote muda os ornamentos (n. 11). Na entrada solene, a procissão pode formar-se antes da entrada da igreja ou dentro dela (n. 13). Durante a liturgia da Palavra, na leitura da Paixão do Senhor, que se realiza neste dia e na Sexta-Feira Santa, podem intervir três leitores (n. 21). Eles são colocados no plano do presbitério em púlpitos móveis que são retirados no final.
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Próximo à catedral, deve existir outra igreja ou sala, uma praça ou um claustro, onde a assembleia possa se reunir antes das procissões, e onde tenham lugar os ritos iniciais de algumas festas particulares ao longo do ano litúrgico (Cerimonial dos Bispos, n. s4). Algo parecido poderia projetar-se em uma paróquia de certa importância.
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DA CELEBRAÇÃO DA CEIA DO SENHOR
O Tríduo Pascal exige uma atenção particular do ponto de vista ritual, também nas igrejas paroquiais (Missal Romano, Sacrum Triduum Pascale, n. 3). Após a homilia, ocorre o lava-pés (lotio pedum: n. 10-13), em que o sacerdote limpa os pés de algumas pessoas dispostas em assentos em um “lugar adequado” (n. 11). Onde situá-las? A distinção que o Missal faz entre os “escolhidos” para este rito; o sacerdote e os ministros (n. 11), leva a pensar que é adequado que esse gesto aconteça na “entrada do presbitério”, entre o santuário e a nave. Nesse espaço, pode-se desenvolver outros ritos que interajam simbolicamente clérigos e leigos: procissão das oferendas, imposição das cinzas, adoração da Cruz.
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As premissas deste livro indicam que na leitura da Paixão há três pessoas que fazem as partes de Cristo, do historiador-cronista à sua direita e do povo-sinagoga a sua esquerda (n. 1,5). Essa leitura é realizada pelo diácono, que faz a parte de Cristo, acompanhado de dois acólitos ou ministros. Se os leitores não são diáconos, eles não pedem a bênção antes da proclamação. Por outro lado, pede-se a bênção o sacerdote leitor no caso de quem presida a liturgia seja o bispo.
Através de um decreto de 6 de janeiro de 2016, e seguindo um desejo expresso do Papa Francisco, a Congregação do Culto Divino modificou esta rubrica do Missal Romano, de modo que possam participar neste rito uma representação variada do povo de Deus: homens, mulheres, crianças, anciãos, enfermos, clérigos, leigos, consagrados e não apenas os “homens escolhidos”
Podemos considerar que o limiar do santuário é também o lugar onde a comunhão é ordinariamente dada, à qual nos referimos previamente no tópico dedicado às procissões. Em seu desenho tem que prever que distribuam a Eucaristia — em qualquer celebração ao longo do ano = mais de uma pessoa: o celebrante, outro sacerdote, o diácono.
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Depois da comunhão, deixa-se o cibório com as partículas consagradas sobre o altar e se incensa (n. 35-37). A procissão dirige-se, no final da missa, para o lugar da reserva ou o locus repositionis (n. 37-39), onde há um tabernáculo vazio desde o início da celebração (n. 5). O Santíssimo é deixado no lugar da “reposição”, preparado em alguma parte da igreja ou capela adequada e convenientemente adornada (n. 38). Volta-se à incensação deixando a porta do tabernáculo aberta: fecha-se e, após um momento de adoração silenciosa, a procissão volta à sacristia (n. 40). É, portanto, necessário que o templo possua em seu interior um espaço adequado ou capela que possa ser preparado facilmente para este fim.
E) SEXTA-FEIRA SANTA
No início da celebração da Paixão do Senhor na Sexta-Feira Santa, o sacerdote e o diácono dirigem-se, em silêncio, para o altar e, depois de fazer uma reverência diante dele, prostra-se e permanecem durante um tempo em silêncio adorante (n. 5). Mais uma vez, vemos como o espaço do presbitério deve possuir medidas suficientes que permitam, além desse gesto simbólico, todas as ações e movimentos dos ministros nas demais celebrações.
A Adoração da Santa Cruz acontece depois da oração dos fiéis (n. 14-21). A ostentação prévia pode desenvolver-se de dois modos. No primeiro, o diácono parte da sacristia levando a cruz coberta e acompanhado de dois ministros com velas. Percorre a nave da igreja e entrega a cruz ao sacerdote, que a eleva, descobrindo-a posteriormente, voltando-se, assim, para o povo diante do altar (n. 15). No segundo modo, forma-se a procissão com o sacerdote e os ministros partindo da porta da igreja levando a cruz até o presbitério. Detêm-se em três ocasiões para cantar o Ecce lignum e permanece em silêncio adorante por alguns momentos (n. 16). Nesses casos, vemos, novamente, a importância da sacristia e da entrada como pontos de partida de ações rituais, assim como da procissão até o altar como movimento ritual que configura q espaço litúrgico. A Adoração da Cruz ocorre ad ingressum presbyterii ou em outro lugar adequado, ao qual acessam os fiéis processionalmente (n. 18).
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43 Eles também podem, conforme o caso, ajoelhar-se. Sobre o significado simbólico da prostração como um gesto de reverência, penitência e humildade, usado tanto na Sexta-Feira Santa como nas ordenações, na profissão religiosa e na bênção do abade ou da abadessa
Fim da nota
F) VIGÍLIA PASCAL
A bênção do fogo e a preparação do círio pascal ocorrem em um “lugar conveniente” fora da igreja onde o povo está reunido (n. 8) e de onde parte a procissão com o círio e os fiéis com as velas acesas. Tanto a natureza dessa ação como a da bênção dos ramos na procissão do domingo anterior fazem-nos pensar que seja conveniente dispor de um lugar no átrio ou em algum espaço exterior com para esse fim, devidamente preparado para suportar diferentes condições climáticas. A procissão detém-se em três ocasiões: na entrada da igreja, no meio da nave e diante do altar (esses pontos podem ser sinalizados através do desenho do pavimento). Em seguida, deixa-se o círio sobre o candelabro — candelabrum magnum, fala a rubrica do missal - perto do ambão ou no centro do presbitério (n. 15), onde permanecerá até as segundas vésperas do domingo de Pentecostes, em que será trasladado para o batistério.
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44 No caso em que não é aconselhável acender uma fogueira, o rito da bênção do fogo adapta-se às circunstâncias. Em qualquer caso, o fogo é abençoado e, se parece oportuno, prepara-se e acende-se o círio (MISSAL ROMANO, Domingo da Páscoa na Ressureição do Senhor, n. 13).
45 Alguns exemplos notáveis de castiçais para o círio pascal são os de São Clemente Romano (figura 29) ou da basílica de São Paulo Extramuros.
Fim da nota
Através de algumas dessas celebrações particulares ao longo do ano, constatamos que o ambiente de entrada, a porta, é um elemento relevante na arquitetura da igreja. É significativo que os momentos em que o Missal se refere à porta da igreja como espaço da liturgia, trata precisamente das procissões: na festa da Apresentação no Templo, o Domingo de Ramos, a Sexta-Feira Santa e a Vigília Pascal. Desse lugar parte a procissão com a cruz na Sexta-Feira Santa e propre ianuam é elevada pela primeira vez (Feria VI in Passione Domini, n. 16).
Também a procissão com o círio na Vigília Pascal, que na porta do templo é erguido pela primeira vez, enquanto o diácono canta Lumen Christi (Vigilia Paschalis in nocte sancta, n. 15). Comprovamos, em todos esses casos, que o ambiente da entrada entra em relação simbólica com o altar, convertendo-se em ponto de partida para o estabelecimento de uma ação processional.” Essas procissões durante todo o ano litúrgico têm relação com acontecimentos da vida do Senhor relacionados com Jerusalém, onde sua missão culmina com a Morte e a Ressurreição. E é precisamente no sacrifício do altar onde se comemora o Mistério Pascal.
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46 Nas celebrações do batismo e do matrimônio e também na dedicação da igreja, os fiéis são acolhidos na entrada do templo. Deste ponto, entram processionalmente.
47 Na porta da igreja pode ocorrer também a recepção solene do bispo durante a visita pastoral (Cerimonial dos Bispos, n. 1179). Além disso, quando se confia um novo pastor a uma paróquia, tanto ele quanto bispo são acolhidos nos confins da paróquia e se dirigem processionalmente para a porta da igreja, onde o bispo apresenta o novo pároco e lhe entrega a chave da igreja (n. 1190).
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1.3. CAPELA DO SANTISSIMO
As premissas do livro litúrgico sobre a Comunhão e culto eucarístico fora da missa** sinalizam que essas duas ações litúrgicas fazem referência à Eucaristia celebrada, que é sua origem e fim (n. 2). A Eucaristia reserva-se para possibilitar a distribuição da comunhão aos fiéis, de modo particular, aos enfermos; para a adoração do povo cristão e para prestar culto a Deus pela adoração de sua majestade.
A exigência de que os fiéis percebam tanto a importância desse mistério em suas vidas quanto a unidade do mesmo = a Eucaristia, celebrada e adorada, à qual se presta culto — faz com que a localização e a relação espacial entre altar e tabernáculo revistam-se de uma notável importância simbólica. Ambos os elementos físicos deverão ser percebidos como diferentes, mas intimamente relacionados um com o outro: para orientar e alimentar a piedade deve-se ter presente o mistério eucarístico em toda sua amplitude (n. 4), embora sem situar no projeto “em razão do sinal”, o sacrário sobre o altar (n. 6).
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Duncan G. Stroik destaca a relevância da interrelação entre altar e sacrário, como elementos litúrgicos mais destacados, para o desenho do templo. Uma possível solução - comum, por outro lado, na arquitetura católica na era moderna - é dispor ambos elementos ao longo de um mesmo eixo no edifício, podendo estar em diferentes alturas.
Mitjans, por sua vez, indica que a sábia disposição e relação entre altar, crucifixo, sacrário e iconografia permitem plasmar a orientação simbólica do edificio.
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A presença real de Cristo no tabernáculo, a mais importante do templo tanto ontológica quanto simbolicamente, é fruto da celebração eucarística e é assim que se manifestará.
Em algumas das últimas declarações magisteriais sobre a liturgia, observamos algumas indicações breves, mas preciosas para nosso estudo. A condição do sacrário não é de elemento secundário no espaço litúrgico, já que
(...) ajuda a reconhecer a presença real de Cristo no Santíssimo Sacramento. Portanto, é necessário que o lugar em que se conservam as espécies eucarísticas seja identificado facilmente por qualquer um que entre na igreja, graças também à lâmpada acesa. Para isso, deverá ter em conta a estrutura arquitetônica do edificio sacro: nas igrejas onde não há capela do Santíssimo Sacramento, e o sacrário está no altar maior, convém seguir usando esta estrutura para a conservação e adoração da Eucaristia, evitando por diante da sede do celebrante. Nas novas igrejas convém prever que a capela do Santíssimo esteja próxima do presbitério, se isso não for possível, é preferível pôr o sacrário no presbitério, suficientemente alto, no centro da abside, ou em outro ponto onde esteja bem visível (SCa, n. 69).
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51 A presença eucarística permanente de Cristo deriva do sacrifício e tende à comunhão, tanto espiritual quanto sacramental
Encontramo-nos aqui diante de uma questão teológica à qual a arquitetura deve dar uma resposta construtiva e simbólica. Embora o costume de preservar o Santíssimo Sacramento após a celebração eucarística remonte aos primeiros séculos da Igreja, a arquitetura dos lugares de reserva evoluiu notavelmente, da mão da teologia sacramental sobre o mistério eucarístico. Assim, encontramos tabernáculos embutidos na parede, como em São Clemente Romano ou na capela Médici da igreja de Santa Cruz em Florença; colunas ricamente adornadas na Alemanha, como as de São Lourenço em Nuremberg ou a de Salem, pombos eucarísticos como os que ainda hoje guardam as sagradas formas na abadia de Grottaferrata ou na igreja bizantina se São Atanásio em Via do Babuíno em Roma, sacrários mais ou menos preciosos situados sobre o altar em capelas secundárias ou na nave principal.
Nos templos que vimos erigir ao longo dos últimos so anos, nem sempre foi possível da! uma solução adequada a essa questão, em não pouca medida devido a uma incompleta concepção teológica sobre a presença eucarística de Cristo. No entanto, não faltam algumas construções pontuais, de modo particular nos últimos quinze anos, que tentaram relacionar visivelmente os lugares da celebração e a reserva eucarística. Como é o caso do santuário da Divina Misericórdia em Cracóvia (dedicado em 2002), da paróquia de Deus Pai Misericordioso em Roma, obra de Richard Meief (dedicada em 2003) ou da paróquia de São Josemaria Escrivá em Santafé, México, DF (dedicada em 2009).
Fim da nota
Essas indicações, do ponto de vista da arquitetura do espaço litúrgico, são de notável importância. Nesse contexto, na Exortação Apostólica publicada após a celebração do sínodo dos bispos sobre a Palavra de Deus, Bento XVI recordou que, no templo, o centro (primarius locus, na versão original) deve corresponder ao sacrário com o Santíssimo Sacramento (VD, n. 68). Para a adoração da Eucaristia recomenda-se que se situe em uma parte digna da igreja, visível, decorosamente ornada e adequada para a oração (IGMR n. 314). A IGMR (n. 315) contempla que o lugar do sacrário é o próprio presbitério, exceto sobre o altar da celebração, ou também outra capela relacionada organicamente com a igreja. Sobre essa questão, Bento XVI expressou-se em Sacramentum caritatis (n. 41) ao especificar que tanto o altar quanto o tabernáculo são “elementos próprios” do presbitério.”
O lugar habitual para a comunhão fora da Missa é a igreja ou o oratório. Nessa ação litúrgica, utiliza-se o altar, onde se traslada o cibório com as formas e, partindo dali, leva-se a hóstia consagrada aos fiéis para a Comunhão (n. 18-19). Aqui teremos duas ações rituais que requerem soluções espaciais: o traslado do Santíssimo do sacrário ao altar e deste para o lugar que os fiéis ocupam. A ausência de um altar na capela do Santíssimo Sacramento dificulta esse rito, porque implica o traslado do celebrante de um lugar para o outro do templo levando a Eucaristia. O ordo para uma celebração da Comunhão eucarística fora da missa de um modo mais solene segue um esquema análogo ao da Santa Missa.'* Ao final, o mesmo ordo contempla, como faz para a comunhão da Missa, que se reservem as partículas restantes (n. 36).
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53 Nas igrejas “deve ressaltar a unidade entre os elementos próprios do presbitério: altar; crucifixo, tabernáculo, ambão, sede” (SCa, n. 41). A respeito da possibilidade de situar nas igrejas e paróquias o sacrário em um lugar alto e central no presbitério.
Antes do momento da Comunhão e de rezar o Pai-Nosso são levadas as sagradas espécies ao altar (n. 30).
Fim da nota
Quanto à exposição e bênção, indica-se que se faça com o cibório ou com o ostensório sob custódia e que se acedam velas e se use o incenso, de modo particular se a cerimônia se reveste de maior solenidade. Ao finalizar, retira-se o Santíssimo (n. 93; 99). Novamente, encontramos a duas ações rituais de traslado das espécies eucarísticas: do tabernáculo ao lugar da exposição — normalmente o altar — e vice-versa. A exposição do Santíssimo tem algumas exigências espaciais específicas, indicadas nessas premissas.
Em primeiro lugar, além da bênção, requer-se um tempo de adoração. Esse tempo pode ser breve (n. 97) ou prolongado se a exposição é solene (n. 94-96), recomendada anualmente para todos os templos onde se reserva a Eucaristia (n. 94). Essa exposição prolongada tem importância peculiar em alguns espaços particulares, como os construídos para alguma instituição da Igreja que observe regularmente a adoração eucarística prolongada (n. 98). Por último, o espaço da igreja é também o ponto de partida das procissões eucarísticas, sobretudo as que ocorrem depois da Missa na festa de Corpus Christi (n. 102).
À luz desses dados, comprovamos que o tabernáculo tem um papel de destaque na arquitetura da igreja. Não é apenas um elemento devocional, mas também um foco de ação litúrgica. O livro litúrgico que analisamos neste tópico contempla o templo sob duas perspectivas: como espaço para a ação litúrgica - Comunhão fora da missa e Exposição do Santíssimo Sacramento — e também como lugar de adoração: a Cristo, nas espécies no sacrário e exposto publicamente durante um tempo mais ou menos prolongado.
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55 lugar, como a credência, para colocar os elementos que são usados na ação litúrgica: véu umeral, livro que contém as leituras e orações, incensário.
Na capela do convento das Capuchinhas Sacramentarias (1952-1955) em Tlalpan, México DF, Luis Barragán situa em uma parede dourada, que faz as vezes de fundo do presbitério, um nicho para situar a custódia durante a exposição prolongada. No santuário de Nossa Senhora de Loreto (perto de Ancona, Itália) o espaço do altar da Capela Francesa “coroa-se” com um pilar com um baldaquino que cobre o ostensório.
Essa procissão, que parte do templo e volta a ele, deverá ser considerada de modo particular no projeto do templo principal - catedral, paróquia - de uma localidade ou um bairro. Bastará dispor de uma porta de dimensões suficientes e de um acesso adequado da rua para a nave. 58 Mais adiante, veremos como na celebração de outros sacramentos e sacramentais também o sacrário é envolvido no rito.
Fim da nota
A esses condicionamentos rituais, devemos acrescentar outros de natureza mais prática, como a disponibilidade de um de maior solenidade. Ao finalizar, retira-se o Santíssimo (n. 93; 99). Novamente, encontramos a duas ações rituais de traslado das espécies eucarísticas: do tabernáculo ao lugar da exposição — normalmente o altar — e vice-versa.“ A exposição do Santíssimo tem algumas exigências espaciais específicas, indicadas nessas premissas. Em primeiro lugar, além da bênção, requer-se um tempo de adoração. Esse tempo pode ser breve (n. 97) ou prolongado se a exposição é solene (n. 94-96), recomendada anualmente para todos os templos onde se reserva a Eucaristia (n. 94).
Essa exposição prolongada tem importância peculiar em alguns espaços particulares, como os construídos para alguma instituição da Igreja que observe regularmente a adoração eucarística prolongada (n. 98). Por último, o espaço da igreja é também o ponto de partida das procissões eucarísticas, sobretudo as que ocorrem depois da Missa na festa de Corpus Christi (n. 102).
À luz desses dados, comprovamos que o tabernáculo tem um papel de destaque na arquitetura da igreja. Não é apenas um elemento devocional, mas também um foco de ação litúrgica. O livro litúrgico que analisamos neste tópico contempla o templo sob duas perspectivas: como espaço para a ação litúrgica - Comunhão fora da missa e Exposição do Santíssimo Sacramento — etambém como lugar de adoração: a Cristo, nas espécies no sacrário e exposto publicamente durante um tempo mais ou menos prolongado.
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A esses condicionamentos rituais, devemos acrescentar outros de natureza mais prática, como a disponibilidade de um lugar, como a credência, para colocar os elementos que são usados na ação litúrgica: véu umeral, livro que contém as leituras e orações, incensário.
Na capela do convento das Capuchinhas Sacramentarias (1952-1955) em Tlalpan, México DF, Luis Barragán situa em uma parede dourada, que faz as vezes de fundo do presbitério, um nicho para situar a custódia durante a exposição prolongada. No santuário de Nossa Senhora de Loreto (perto de Ancona, Itália) o espaço do altar da Capela Francesa “coroa-se” com um pilar com um baldaquino que cobre o ostensório.
Essa procissão, que parte do templo e volta a ele, deverá ser considerada de modo particular no projeto do templo prin cipal - catedral, paróquia - de uma localidade ou um bairro. Bastará dispor de uma porta de dimensões suficientes e de um acesso adequado da rua para a nave.
Mais adiante, veremos como na celebração de outros sacramentos e sacramentais também o sacrário é envolvido no rito.
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