FERNANDO ARIAS. Parte 01
Projetar o espaço sagrado: O que é e como se constrói uma igreja” Padre Fernando López Arias
Introdução
O que é uma Igreja? Como se constrói? Quando se inicia o trabalho de levantar um espaço sagrado cristão é natural fazer-se perguntas tão essenciais como essas. Por mais surpreendente que pareça, não é fácil responder a nenhuma das duas. O arquiteto e o fomentador que estão enfrentando essa árdua missão são como equilibristas que atravessam juntos, tremendo, o frágil fio que salva o abismo entre o vulgar e o sublime, o natural e o sobre-humano, o sensível e o espiritual, o humano e o divino. Como o equilibrista, diante de tão esmagadora tarefa, ambos se encontram com frequência muito sozinhos. E se isso não bastasse, agitados pelos ventos do exíguo orçamento, da escassez de referências precisas, das incompreensões e receios do outro, da dificuldade do próprio projeto. Para o bem ou para o mal, o êxito final de tão difícil trajeto depende de ambos.
Isso não é um problema novo. Diante da incumbência da construção do terribilis locus — “lugar terrível”, na expressão bíblica (Gn 28,17) — do encontro entre Deus e os homens é natural sentir um certo temor e tremor reverencial. Não se trata de um encargo qualquer, mas sim daquele que, de algum modo, é o tema arquitetônico por antonomásia: o espaço sagrado. Tantas vezes, ao longo da história, o arquiteto recebeu do fomentador do edifício de culto — a autoridade religiosa habitualmente - uma tarefa com palavras similares àquelas que dirigiu Salomão a Hiram, ao iniciar o projeto do Templo de Jerusalém:
Mandou dizer a Hiram, rei de Tiro: “Atendeste meu pai Davi, mandando-lhe madeira de cedro para a construção de uma casa para ele residir. Agora estou construindo uma Casa para o nome do Senhor, meu Deus. A ele a dedicarei para o suave incenso queimado diante dele, para o pão perpétuo da apresentação, para os holocaustos da manhã e da tarde, nos sábados, no novo mês e nas festas em honra do Senhor, nosso Deus, como prescrito a Israel para sempre. A Casa que vou construir deve ser grande, pois nosso Deus é maior que todos os deuses. Mas quem é capaz de lhe construir uma casa? Nem os céus, nem os céus dos céus são capazes de contê-lo! E quem sou eu para lhe construir uma Casa, ainda que só para queimar incenso diante dele? (...)” (1Cr 2,2-5).
Diferentemente do Templo de Jerusalém - edifício que teve o próprio Deus como inspirador e “arquiteto” - uma das principais dificuldades do projetista é a ausência prática de normas claras, precisas e harmonizadas para a construção de edifícios de culto, que conjuguem a consciência de seu caráter simbólico com os aspectos mais funcionais e práticos. Muitas Conferências Episcopais Nacionais têm emitido diretrizes ou orientações para a arquitetura sagrada. Porém, esses textos são frequentemente pouco conhecidos e nem sempre de fácil acesso para os profissionais da construção.
Este livro nasce com a pretensão de contribuir para o fecundo e tradicional diálogo entre os atores que intervêm na construção de uma igreja: os clientes (os pastores da Igreja e a própria comunidade cristã), o projetista, os artistas, os técnicos, etc., oferecendo a uns e outros uma visão integral do espaço sagrado, tanto arquitetônica e artística como teológico-litúrgica. Naturalmente, as igrejas são construídas por arquitetos, mas seria ingênuo e pouco profissional um projetista lidar com essa incumbência sem os conhecimentos teológicos e litúrgicos que esse complexo edifício requer. Qual arquiteto se atreveria a construir um hospital ou um museu sem um conhecimento prévio a respeito das enfermidades que ali serão curadas ou das obras artísticas que ali serão expostas? É necessário, pois, para o projeto, um cuidadoso assessoramento teológico e litúrgico, simbólico e funcional.
Este volume está igualmente dirigido aos fomentadores da construção de edifícios sagrados: bispos, párocos, comissões diocesanas de liturgia, de arte sacra e bens culturais. Em todas as partes, sente-se a urgência de fazer da arquitetura cristã um meio eficaz de evangelização que, ao mesmo tempo, volte a converter-se em referência para a cultura de seu tempo. Estou convencido de que se cada ator desse processo conhece bem seu papel, possui as competências específicas e sabe escutar, deixando-se guiar nos âmbitos que não são de sua especialidade, o resultado só poderá ser positivo. Este livro também interessará a qualquer estudioso da arquitetura cristã, ou a qualquer pessoa que se estremeça diante da sólida beleza de uma igreja barroca, de uma antiga catedral ou de uma humilde capela na montanha.
Para entender a perspectiva adotada neste estudo, é necessário advertir que ele adota como categoria programática o conceito de espaço litúrgico:
Tal modo de referir-se ao lugar de culto cristão reflete uma visão claramente moderna. Nasce no século XX, fruto de uma consciência de que o “lugar essencial” onde se celebra a liturgia é o espaço “vivente”, formado pelas pessoas e qualificado pelo evento comunitário. O importante achado que acima descrevemos nasceu dentro do movimento de renovação litúrgica dos séculos XIX e XX, ao pôr em destaque três aspectos da celebração cristã: a dimensão social do ato do culto, que incluía o fascinante “redescobrimento” da assembleia litúrgica; a dimensão mistério-simbólica do rito, que implicava a percepção da celebração como “forma viva” com suas palavras, cantos, ritmos e movimentos; sua dimensão participativa, que animou os fiéis a tomarem parte de modo consciente e ativo.
Estamos convencidos de que a categoria teológica e arquitetônica “espaço litúrgico” oferece-nos uma grande oportunidade: fortalecer a vigorosa e frutuosa aliança que tem unido, ao longo da história, a liturgia cristã à arquitetura. Esse conceito pode constituir um ponto de encontro entre arquitetos e teólogos. Naturalmente, embora uma igreja não seja um edifício público qualquer — construções reguladas por exaustivas, minuciosas e esgotadoras normas — deve observar alguns requisitos concretos que provêm de seu uso e de seu valor simbólico. “Espaço litúrgico” pode ser uma interessante categoria auxiliar que volta a introduzir no projeto da arquitetura cristã todo o universo de exigências práticas e simbólicas que a celebração do Mistério cristão traz consigo. Embora, em algumas ocasiões, tenham sido negligenciadas nas construções das últimas décadas, as exigências da liturgia que deram sua grandeza à arquitetura cristã, como nos recorda o belo testemunho da história.
Este trabalho não pretende ser um simples vade-mécum a ser aplicado friamente no projeto, mas um convite para entrar no Mistério através de suas diversas expressões litúrgicas e contemplativas.
No primeiro capítulo, trataremos de identificar as exigências espaciais das celebrações que têm lugar em um templo. Seguidamente, adentraremos na celebração da dedicação da igreja:
o segundo capítulo será uma breve introdução a essa grande festa do povo cristão, que analisaremos desde o ponto de vista da teologia litúrgica no terceiro capítulo.
A variedade de espaços litúrgicos que a tradição cristã nos deixou é grande. A catedral, o santuário ou a basílica de grandes dimensões, por exemplo, possuem exigências espaciais específicas, às quais só faremos referência brevemente. Analogamente, a um oratório ou capela devem-se aplicar, com a devida gradualidade, os critérios aqui descritos. Em nosso caso, o “modelo” será um espaço litúrgico de dimensões medianas — uma paróquia - onde se reúne uma comunidade cristã que participa na vida litúrgica da Igreja ao longo de um ano todo.
A fonte principal para nosso estudo serão os livros que ordenam e regulam a liturgia romana (livros litúrgicos). Cada um deles está constituído essencialmente por duas partes: uma introdução teológica, pastorale funcional ao rito - denominada em latim praenotanda (premissas) - ea parte que descreve propriamente o desenvolvimento da celebração: o ordo. Deter-nos-emos nas rubricas dessa segunda parte de modo particular. Usaremos as edições “típicas” dos livros, ou seja, Os textos originais latinos da liturgia romana. Dado que se trata de projetar um lugar de culto cristão “ideal”, que possa ser facilmente adaptado às culturais e tradições arquitetônicas e artísticas locais, consideramos que essa é a metodologia adequada. Ademais, os textos latinos permitem saborear com maior gosto o arcabouço da tradição espacial e celebrativa do culto cristão.”
Capítulo 01 | Um espaço para a liturgia romana
Como se constrói uma igreja” Diante de qualquer novo projeto, um dos fatores a levar em conta é o programa de usos. Naturalmente não é sempre o mais decisivo, mas em edifícios de usos complexos e variados não seria uma boa prática ignorá-lo desde os primeiros compassos. Em grande medida, uma causa frequente de fracasso em um projeto é a imprecisão - ou pior ainda, ignorância - do programa.” Temos visto, ao longo das últimas décadas, que é precisamente o desconhecimento do complexo programa de uma igreja que leva à edificação de templos pensados apenas para a missa dos domingos, sequer para todos os domingos do ano. Naturalmente, não pretendemos uma redução funcionalista da igreja - mais adiante falaremos extensamente sobre o caráter icônico do edificio de culto - mas começaremos pela função em nosso estudo.
Qual será então o programa funcional de uma igreja? Para responder a essa pergunta, precisamos elucidar previamente outra questão: O que nós celebramos? A resposta nos é oferecida Dela Sacrosanctum Concilium (n. 7):
Merecidamente, a Liturgia é tida como o exercício do sacerdócio de Jesus Cristo. Nela, cada um a sey modo, os sinais sensíveis, significam e realizam a santificação da pessoa humana e, assim, o Corpo Místico de Cristo, isto é, Cabeça e membros, executa integralmente o culto público. Por esta razão, toda celebração litúrgica é ação sagrada por excelência por ser ação de Cristo Sacerdote e de seu Corpo, que é a Igreja, e nenhuma outra ação da Igreja lhe iguala, sob o mesmo título e grau, em eficácia. De modo semelhante à luz que se divide em um espectro de cores ao atravessar um cristal, o Mistério celebrado em seus diversos aspectos ilumina a vida dos fiéis nesta terra. Somente o conjunto completo das ações litúrgicas cristãs — sacramentos, sacramentais, liturgia das horas — nos permitirão uma visão integral de como deve ser um edifício para o culto. Cada uma das celebrações possui exigências espaciais específicas e concretas. Esses requisitos provêm, por um lado, das ações rituais-simbólicas e, por outro, das necessidades mais técnicas que, ainda não possuam um sentido particular simbólico, terão de ser igualmente contempladas no momento do projeto.? Essa dupla perspectiva de estudo será aquela que adotaremos ao longo das páginas seguintes, que completaremos com alguns exemplos significativos da história da arquitetura e da arte cristã. 1. O espaço da Eucaristia Se a Eucaristia é a “fonte e o ápice” da vida e da ação da atividade da Igreja, como recordava o Concílio Vaticano II, também tem de sê-lo o espaço da igreja. Por isso, o ambiente pará a Eucaristia será como a “estrutura de base” para a conformação do espaço litúrgico cristão. Este mistério de fé, em sua profundidade infinita, é um lugar teológico e arquitetônico dificilmente igualável, por sua riqueza e multiplicidade de facetas. Será a Eucaristia, em seus diversos aspectos, a Nos guiar no início de nosso caminho e a determinar, em linhas gerais, a forma do espaço litúrgico.
1.1. A SANTA MISSA
Qual espaço para a celebração eucarística surge das indicações que nos dá o Missal Romano? A Institutio generalis Missalis Romani — Introdução ou Premissas do Missal (IGMR) - como depositária de uma tradição ritual que remonta, em grande parte, ao século VIII, oferece-nos muitas informações sobre a forma física do lugar de culto, explicando sistematicamente as ações rituais que mais tarde aparecerão ao longo do Ordo Missae. Em seguida, apresentaremos os aspectos e os elementos da liturgia eucarística que dão forma ao lugar do culto, ou seja, aqueles cuja manifestação simbólica e prática possui implicações espaciais relevantes.” Agrupá-las-emos em dois campos: as derivadas do sujeito da celebração e as que respondem à natureza da ação.
Notas de rodapé
4 Muitas ações e elementos físicos da celebração eucarística são comuns a outras ações litúrgicas. Por isso nos deteremos mais extensamente nesta primeira seção, dedicando as seguintes às necessidades específicas de outros ritos.
7 Uma primeira aproximação aos principais lugares de uma igreja é apresentada nos n. 1182-1186 do Catecismo da Igreja Católica (CIgC). Trata-se do altar, do sacrário ou tabernáculo, do receptáculo onde se conserva o santo crisma e os outros óleos santos, da sede do bispo (cátedra) ou do presbítero, ambão, pia batismal e confessionário.
Fim da nota de rodapé
1.1.1 O presbitério e a nave
O sujeito da ação litúrgica é Cristo mesmo que, depois de sua Ressurreição e Ascensão aos céus, como Sumo e Eterno Sacerdote, não deixa de elevar ao Pai suas súplicas e orações, sua ação de graças, com todo seu Corpo Místico que é a Igreja. Nessa ação comunitária do povo de Deus, o sacerdócio comum e o ministerial, ordenados um para o outro, inter-relacionam-se, Ambos participam, à sua maneira, do único sacerdócio de Cristo, mantendo a diferença entre si, essencial e não apenas de grau (CIgC, n. 1136; LG, n. 10).º
Tradicionalmente, a arquitetura cristã distinguiu nos templos dois ambientes espaciais principais, que correspondem àqueles que ocupam quem recebeu a ordem sagrada e aos fiéis leigos: o presbitério e a nave. Esses dois ambientes, simbolicamente diferentes, pois correspondem a situações sacramentais diversas dos fiéis, não são, contudo, completamente herméticos. Além disso, poderíamos dizer que uma grande parte da ação litúrgica depende precisamente do fato de que ambos ambientes se comunicam: as coisas divinas entram para participar da vida dos homens, pois o Verbo se encarnou e habitou entre nós (Jo 1,14).º Devem manifestar a natureza orgânica e ministerial da Igreja (v) e, ao mesmo tempo, constituir uma íntima e coerente unidade, por meio da qual resplandeça claramente a unidade de todo o povo santo (IGMR, n. 294).
Notas de rodapé
A disposição geral do edifício sagrado deve manifestar a imagem da assembleia como povo reunido e organicamente constituído e, ao mesmo tempo, permitir a conveniente ordem e a correta execução de cada um dos ministérios.
Muito do sucesso no projeto do edifício eclesial encontra-se na solução correta das relações espaciais estabelecidas entre a nave e o santuário, assim como este último e o altar. A conjunção do corredor central, arco triunfal e baldaquino, como vemos nas basílicas romanas de Santa Maria Maior e São Paulo Extramuros, tem sido um recurso tradicional na arquitetura cristá para enfatizar o santuário e altar
Fim das notas
A) O ESPAÇO MINISTERIAL
Enquanto ação de Cristo e da Igreja, todo o Povo santo de Deus está envolvido na ação litúr
gica. No entanto, cada um dos membros está chamado a desempenhar seu ministério ou ofício, fazendo apenas aquilo que lhe corresponde (IGMR, n. 91). Nesse sentido, a natureza hierárquica da Igreja reflete-se no espaço da igreja. A natureza do sacerdócio ministerial própria do bispo e dos presbíteros resplandecente na forma do próprio rito, pela preeminência do lugar reservado e pelo próprio ministério do sacerdote (IGMR, n. 4). Durante a celebração, são três lugares que fazem do presbitério o lugar que se sobressai sobre todos os demais: o altar, o ambão e a sede do celebrante (à qual se unem os demais assentos que são ocupados pelos outros participantes no rito).'º Por isso, deve distinguir-se adequadamente da nave da igreja, seja por estar mais elevado ou por sua especial estrutura e ornato (IGMR, n. 295)." O significado cristológico do altar cristão é percebido facilmente no incomparável altar dourado de São Ambrósio em Milão, do século IX. Em seu centro encontra-se a Maiestas Domini, rodeada pelos apóstolos e pelos símbolos dos evangelistas. De ambos os lados encontram-se cenas da vida de Cristo.
Tanto o celebrante principal quanto os concelebrantes e o diácono ocuparão um lugar no presbitério (IGMR, n. 294). A partir da sede - a cátedra no caso do bispo — se saúda o povo no início e dali são dirigidos os ritos iniciais (n. so-54), preside-se a celebração da liturgia da Palavra, podendo desse mesmo lugar pronunciar a homilia (n. 136); dirigem-se as preces da oração universal (n. 71) e eventualmente os ritos conclusivos (n. 164).
Notas de rodapé
10 Sobre as particularidades do ambão, nos deteremos quando considerarmos o Ordo lectionum Missae (OLM: Introdução ao Lecionário da Missa).
O desenho do santuário deveria assim mesmo permitir que se ponham assentos móveis (Cerimonial dos Bispos, n. so). Em ocasiões ao longo do capítulo, faremos referência a este livro, pois aponta indicações preciosas para o projeto. Em primeiro lugar, porque o espaço da catedral, que descreve o Cerimonial dos Bispos, deve ser exemplo para os outros templos da diocese (n. 46). Por outro lado, esse livro litúrgico prevê que muitos dos ritos da liturgia episcopal podem ser realizados nas paróquias.
Fim das notas
O celebrante principal preside o povo fiel reunido, proclama a mensagem da salvação, associa o povo à oferta do sacrifício diante do altar e dá aos seus irmãos o Pão da vida eterna (n. 92-93).
Na sede do celebrante, desenvolvem-se algumas ações relevantes a partir do ponto de vista simbólico e, portanto, do projeto, como a colocação do incenso no turíbulo, durante o canto do Aleluia (IGMR, n. 132).
Por outro lado, para as orações que ele pronuncia, é necessário um suporte para o livro e, se necessário, um meio técnico para amplificar a voz.” A posição mais adequada da sede é voltada para o povo, no fundo do presbitério, a não ser que se encontre muito distante, dificultando a comunicação, ou que o tabernáculo esteja localizado no meio do presbitério, atrás do altar (n. 310).
O diácono como ministro ordenado ocupa o primeiro lugar entre os que exercem seu ministério na celebração, diferentemente daquele dos concelebrantes. A ele compete a proclamação do Evangelho desde o ambão e, em algumas ocasiões, também a pregação da Palavra e a apresentação das intenções na oração universal. Na liturgia eucarística, ajuda o sacerdote, prepara o altar e distribui a Eucaristia. Em certas ocasiões, também indica, com devidas monições, os gestos e as posturas corporais do povo (n. 94). Pelas diversas ações que realizam, tanto o celebrante principal quanto o diácono trasladam-se com diversos movimentos pelo espaço do presbitério: entre os polos do altar, o ambão e a sede, até o lugar onde recebem as oferendas dos fiéis e distribuem a comunhão.
Notas de rodapé
12 Às vezes, ambas as funções podem ser realizadas por dois ministros segurando um microfone sem fio e o livro. Caso contrário, um suporte e um pedestal de microfone podem ser organizados. É conveniente, é claro, que seja claramente percebido que o púlpito não tem uma importância simbólica comparável à do ambão. Na história, há inúmeros exemplos de sedes ou cátedras de grande riqueza artística e iconográfica, como a da Igreja dos Santos Nereo e Aquiles em Roma (figura 1) ou a cadeira de Maximiano em Ravena,
13 Sobre a disposição do tabernáculo no espaço da igreja, ver: BENTO XVI. Exortação Apostólica Pós-Sinodal Sacramentum Caritatis (SCa), n. 69. Nesta questão nos deteremos no tópico dedicado ao culto eucarístico fora da missa.
Fim da nota
Quanto aos “ministérios peculiares”, o acólito e o leitor, a IGMR indica-nos também como é sua atividade espacial. O acólito prepara o altar e os vasos sagrados e, eventualmente, distribui aos fiéis a Eucaristia como ministro extraordinário (n. 98). O leitor, por sua vez, proclama as leituras da Sagrada Escritura, exceto o Evangelho. Pode também propor as intenções da oração universal e, na ausência do salmista, proclamar o salmo (n. 99). Vale citar também os demais ministros como aqueles que, na ausência do acólito ou do leitor instituído, carregam a cruz, as velas, o incensário; podem proclamar as leituras da Escritura; ajudam na celebração levando o pão, o vinho, a água; inclusive, podem ser designados como ministros extraordinários para distribuir a Comunhão (n. 101).
Em relação à distribuição dos lugares que ocupam o celebrante, os concelebrantes e os ministros, vemos que possui uma grande complexidade. Junto à sede do celebrante principal, deve haver outras para os concelebrantes e o diácono. Essas não serão, obviamente, iguais entre si, já que nem do ponto de vista sacramental nem ritual suas funções são equivalentes.”
Algo similar pode se dizer dos lugares que ocupam quem exerce os outros ministérios não unidos por sua natureza ao sacramento da Ordem, que servem na celebração. Parece conveniente que a estrutura ministerial e orgânica da Igreja seja manifestada também no presbitério, mediante o lugar que ocupam os diversos ministros (n. 310), distinguindo-se claramente na sede principal (figura 2).
Rodapé
14 Desse modo está construído o lugar para os sacerdotes na igreja de São Vital em Ravena. Na parede da abside está disposto um banco corrido de pedra em forma semicircular, onde se situam os ministros, com uma sede principal no centro que se destaca sobre as demais. Essa distinção espacial fundamenta-se na identificação sacramental do celebrante com Cristo.
No caso da catedral, a sede (cátedra) deve ser percebida com claridade, por exemplo, por sua elevação através de alguns degraus, distinguindo-se dos assentos para os presbíteros, bem como na falta de baldaquino. (Ver: Cerimonial dos Bispos, n. 47). A IGMR (n. 310) indica que também podem ocupar um lugar no presbitério os sacerdotes que assistem à ação litúrgica, revestidos com vestes coral, mas que não concelebram.
Fim da nota
B) O ESPAÇO DO SACERDÓCIO REAL
O espaço que reúne os fiéis - as Constituições apostólicas dirão que é “como um barco" - é nave da igreja. O sacerdócio ministerial e o sacerdócio comum estão intimamente unidos na celebração do mistério cristão, pois o sacrifício espiritual dos fiéis é consumado, pelo minis. -tério do bispo e dos presbíteros, em união com o sacrifício de Cristo, que é o único Mediador (IGMR,n.5;cf. PO,n. 2).5
Como vimos, uma manifestação simbólica adequada desse mistério será a distinção sem isolamento dos espaços do presbitério e a nave, formando uma unidade orgânica. Assim fizeram, na época contemporânea, Auguste Perret em Notre Dame de Raincy (figura 3) e Benedito Calixto Neto na Catedral Basílica de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP) (figura 14). Em todo caso, a distribuição dos fiéis na nave e sua própria forma deverão facilitar a ativa participação de todos (IGMR, n. 294). Eles serão dispostos na nave em bancos ou cadeiras, de modo que lhes permitam, graças a seu desenho, assumir facilmente as posturas corporais exigidas durante a celebração e a aproximação para a Comunhão (n. 311). Também poderão ser dispostos em um lugar na nave, sem necessidade de uma distinção particular, aqueles que exercem ministérios litúrgicos não relacionados por ofício com a ordem sagrada.
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16 É o caso do sacristão, de quem realiza as coletas ou do “ostiário” (n. 105). Algo parecido pode ser aplicado a outros ministérios, como os do salmista (n. 102) e do comentarista (n. 105). Em qualquer caso, o cantor, o comentarista e o regente do coro não deverão subir ao ambão, mas desempenharão sua função de outro lugar adequado (Cerimonial dos Bispos, n. 51).
Fim da nota
1.1.2. As ações
A celebração é realizada por homens e mulheres que formam o corpo de Cristo e, portanto, é espiritual e, ao mesmo tempo, física. As ações que realizam podem ser individuais, se são efetuadas por apenas uma pessoa, ou comuns. Embora a individualidade e a dimensão social da pessoa abracem-se harmonicamente na liturgia, em algumas ações, uma ou outra pode adquirir mais relevância simbólica. Assim, por exemplo, o canto soa como uma só voz, mas é emitido por cada pessoa individualmente.
A) AÇÕES INDIVIDUAIS
i) Movimentos sem mudar de posição
Especialmente importantes para nosso estudo sobre as implicações espaciais da liturgia eucarística são os pontos de 42 a 44 da IGMR, dedicados aos gestos e posturas corporais.” Esses, por sua vez, contribuem para aumentar a consciência da natureza da ação que é realizada. É por isso que a uniformidade das posturas é incentivada, como sinal da unidade dos membros da comunidade, manifestando a intenção e os sentimentos dos participantes (n. 42).
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17 Sobre o conteúdo simbólico das posturas, ver: ALDAZÁBAL, ]. Gestos y símbolos. Barcelona: Centre de Pastoral Litúrgica, 2003, p. 109-123. Não consideramos, neste tópico, todos os gestos simbólicos na ação ritual, mas somente aqueles que tenham relevância a partir de um ponto de vista espacial para o projeto do espaço litúrgico.
18 Do ponto de vista antropológico, as diferentes posturas e gestos são manifestações externas de realidades espirituais, que permitem comunicar, através da linguagem corporal, atitudes de escuta, triunfo, adoração, penitência, alegria.
A colocação permanente de bancos ou cadeiras sem genuflexório dificulta a participação ativa na celebração. Por isso, não contribuem para fomentar o espírito da reforma litúrgica desejada pelo Concílio Vaticano Il: “Para promover a participação ativa dos fiéis incentivem as aclamações do povo, as respostas, a salmodia, as antífonas e cânticos, também sejam orientados os movimentos, gestos e postura corporal. Além disso, deve-se ajudar a assembleia a observar momentos oportunos de silêncio” (SC, n. 30).
Fim da nota
Os fiéis devem poder ficar de pé, sentados e ajoelhados facilmente durante a celebração.'* Permanecerão de pé desde o início até a Oração do Dia; durante o cântico do Aleluia e a proclamação do Evangelho, enquanto fazem a Profissão de Fé e a Oração Universal, também na lirurgia eucarística, a partir do convite à oração antes da oração sobre as oferendas (n. 43,1); igualmente se encontram de pé no momento do Rito da Paz, em que os fiéis — se se considera oportuno (pro opportunitate) - oferecem um sinal de paz (n. 82; Ordo missae, n. 128). Estarão sentados enquanto se proclamam as leituras antes do Evangelho e o Salmo Responsorial; durante a Homilia e enquanto se faz a preparação das oferendas, também, segundo as circunstâncias, enquanto se guarda o sagrado silêncio após a Comunhão (n. 43,2). O principal celebrante permanece de pé enquanto se encontra diante do altar ou diante da sede ou do ambão, nos momentos correspondentes da celebração. Permanece sentado quando se proclamam as leituras que não são o Evangelho e durante a recitação do Salmo. Também durante a preparação do altar para a apresentação das oferendas e, eventualmente, depois da comunhão, antes dos ritos finais.
A posição de joelhos, adorante, faz parte da liturgia da Igreja.” De modo particular, exorta-se o povo cristão para que na Quinta-feira Santa e na Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, honre, com culto peculiar de adoração, o Sacramento (IGMR, n. 4). Por sua vez, o sacerdote que celebra faz três genuflexões: depois da elevação da Hóstia, do cálice e antes da Comunhão. Também faz genuflexão diante do tabernáculo quando este se encontra no presbitério, no início e no final da celebração (n. 274).
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19 A genuflexão significa adoração. É reservada para honrar ao Santíssimo Sacramento e à Santa Cruz, da solene adoração da Sexta-feira Santa até o início da Vigília Pascal (IGMR, n. 274). Também se faz, tradicionalmente, a genuflexão diante da relíquia da Santa Cruz exposta para a veneração. Prática-se igualmente este gesto durante o Et incamatus est do Credo no dia de Natal e na solenidade da Encarnação do Senhor (25 de março). Também quando se proclama à morte de Cristo durante a leitura da Paixão no Domingo de Ramos e na Sexta-feira Santa, assim como quando se realizam as preces da oração universal nesta última celebração.
Fim da nota
ii) Movimentos com mudanças de posição
São diversos os movimentos individuais realizados durante a celebração, tanto dos fiéis como dos ministros e do sacerdote. Assim, na liturgia da Palavra, o ambão constitui um dos polos de ação mais importantes. Para ele se dirigem os diferentes leitores para a proclamação das leituras.
Tradicionalmente, esse trabalho não é um serviço presidencial, mas ministerial (n. 59). As leituras terão de ser proclamadas por um leitor, enquanto o diácono — ou estando este ausente, outro sacerdote — anuncia o Evangelho. No entanto, se um diácono ou outro sacerdote não estiver presente, cabe ao próprio sacerdote celebrante ler o Evangelho; e na falta de outro leitor adequado, ele também proclamará as leituras (n. 59). Essas ações implicam mudanças de posição da nave ou do presbitério em direção ao ambão. Parece adequado, portanto, que o ambão se situe em algum ponto da igreja visível e de fácil acesso para todos (n. 309).
No começo da liturgia eucarística, prepara-se o altar e sobre ele se colocam o corporal, o purificador, o missal e o cálice, quando este não é preparado na credência (n. 73). Também nela se pode terminar a purificação dos vasos sagrados sobre um corporal (n. 163; 192; 279). Essas observações colocam diante de nossos olhos um elemento do espaço litúrgico do ponto de vista prático: a credência. Dada a grande quantidade de elementos físicos que intervêm na celebração (livros, vasos sagrados, incensário, ver: n. 118-119), faz-se necessário um lugar auxiliar de tamanho suficiente que se possa acessar facilmente nos momentos oportunos.
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20 Sobre as ações individuais do celebrante. Entre elas se encontram, por exemplo, a imposição das cinzas no primeiro dia da Quaresma ou a aspersão do povo com água benta em memória do batismo no início da Missa, rito que substitui o ato penitencial (ainda que normalmente ambos movimentos o celebrante os realize acompanhado de um ministro).
A importância desse espaço auxiliar torna-se ainda mais evidente quando se desenvolvem ritos nos quais objetos específicos são utilizados.
Fim da nota
A IGMR contempla dois momentos em que tem lugar a incensação do altar e da cruz, situada no altar ou próximo dele (n. 117; 277; 308): depois da procissão de entrada e no rito de apresentação das oferendas (n. 49;75).” Na liturgia eucarística, o sacerdote e o povo são incensados separadamente pelo diácono ou outro ministro (n. 75). Depois desse gesto, o sacerdota limpa as mãos ao lado do altar (n. 76). Um pouco mais adiante, se ocorre uma concelebração, os outros sacerdotes que se aproximarão o altar (n. 215). Depois da comunhão, o celebrante ou algum dos ministros consomem as espécies que não foram distribuídas — também se pode guardá-las no sacrário — e purificam os vasos sagrados (n. 163). É conveniente, portanto, que em torno do altar haja um espaço amplo que permita todas essas ações.
B) AÇÕES COMUNITÁRIAS
I) Procissões
Entre as ações simbólicas realizadas em comum estão as procissões. Na missa, “são movimentos processionais” os do sacerdote com o diácono e os ministros que se aproximam do altar no início, antes da proclamação do Evangelho, quando leva o Evangelho ao ambão acompanhado dos ministros com as velas, os dos fiéis quando levam as ofertas e se aproximam da Comunhão (IGMR, n. 44).? Embora não seja expressamente indicado na IGMR, nem possua um significado simbólico particular, também podemos considerar a procissão de saída. Esses últimos movimentos indicam-nos uma circunstância espacial não negligenciável: a celebração tem sua partida e conclusão na sacristia, posto que ali se revestem os ministros (n. 119; 209). O caminho que conduz dela até o presbitério, através da nave e eventualmente outros locais como um corredor, também está envolvido na ação celebrativa. Seu desenho e disposição deverá ser considerado atentamente, de modo que permita facilmente tanto o caminho de uma procissão solene pela nave da igreja com uma saída simples de um sacerdote e de quem o ajuda.
Rodapé
22 Se o altar está separado da parede, se incensa rodeando-o. Se não está, incensa-se primeiro a parte direita e depois 2 esquerda (IGMR, n. 277).
Sobre as procissões específicas de alguns momentos do ano litúrgico, assim como as próprias dos demais sacramentos e sacra” mentais, falaremos nos tópicos seguintes.
Fim da nota
Na tradição oriental, os espaços auxiliares, equivalentes à sacristia, são as salas do diakonikon e a protesis, situadas em ambos os lados do espaço do altar, onde se revestem os ministros e se preparam as oferendas. No ocidente, não faltam exemplos de sacristias de grande valor artístico, de modo particular na Itália e na Espanha, como é o caso da cartuxa de Granada (figura 4). Permitem-nos ver até que ponto esse espaço auxiliar é importante para a liturgia romana (figura 5).
A procissão de entrada formada pelo sacerdote e os ministros — “sacerdos cum ministris ad altare accedit” (Ordo missae, n. 1) — ocorre no meio do povo. É interessante comprovar que duas das cinco procissões envolvem diretamente tanto os ministros ordenados quanto o povo: na das ofertas e na da comunhão, o povo vai até o altar e os sacerdotes e diáconos os recebem para aceitar suas ofertas ou distribuem a comunhão (n. 72-73). Isso possui um profundo significado cristológico e escatológico. Os ministros atuam in persona Christi: recebem as oferendas do povo que levam ao altar enquanto participam, de um modo especial, na mediação sacerdotal de Cristo entre Deus e os homens; também distribuem o corpo de Cristo seguindo a ordem do Senhor: “tomai e comei” (Mt 26,26). Ambas ações realizam-se na formação de uma fila que se move. À igreja é comunidade a caminho até Cristo - o ministro, o altar - meta definitiva da peregrinação terrena.
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24 Nas Igrejas mais importantes, como a catedral, pode ser oportuno projetar dois ambientes distintos: o secretareium e a sacristia. O primeiro pode ser utilizado para revestir-se nas ocasiões mais solenes, enquanto o segundo conserva os ornamentos e objetos de culto e para preparar-se para a celebração nos dias sem solenidade particular (Cerimonial dos Bispos, n. 53).
25 Também na sacristia deve haver um sacrarium ou piscina de onde verta a água com a qual será lavado o lugar onde foi derramado algo do Sangue do Senhor (IGMR, n. 280) e também aquela empregada na purificação dos vasos e na roupa de linho (n. 334). Alguns exemplos históricos de piscina que se conservam, como a da catedral de Salisbury em forma de nicho abobadado, estão à direita da nave, com uma drenagem que canaliza a água utilizada. Por outro lado, não fizemos referência a outro elemento auxiliar do espaço litúrgico, de grande importância prática: o depósito. Nele pode conter todo tipo de elementos que ocasionalmente se empreguem na Igreja. Seu desenho e localização devem ter em conta sua relação com o espaço da nave e do presbitério.
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A procissão das oferendas (n. 140) e da comunhão (n. 160) permitem a comunicação entre o espaço do altar e aquele onde se dispõem os fiéis, assim como a participação desses últimos na oblação e no sacrifício (Ordo missae, n. 22). É conveniente, portanto, que essa distinção-comunicação entre o mundo celeste e o mundo dos homens possua também uma expressão simbólica, como se tem manifestado ao longo da história da arquitetura cristã - no oriente e ocidente - de modo ininterrupto.
Também observamos a conjunção orgânica dos dois sacerdócios nos movimentos até o ambão. A procissão do diácono para a proclamação do Evangelho, que pode ter sido deixado desde a procissão inicial sobre o altar (n. 173), está fortemente marcada pelo ministério da ordem sagrada, ao que compete sua proclamação. A veneração e solenidade indicam a distinção e a honra que são dadas à Palavra de Deus (n. 60; Ordo missae, n. 14-60). Previamente, dirigiam-se ao ambão — é uma possibilidade contemplada pela IGMR - os fiéis leigos para fazer as leituras, exercendo também, assim, seu sacerdócio comum. Nas zonas setentrionais da Europa, o ambão foi integrado à jubé (ou tramezzo na Itália): tribuna elevada que distinguia o espaço da nave e do coro unido ao santuário. Alguns exemplos notáveis são as das catedrais de Chartres ou Módena, ou o da igreja de São Pantaleão em Colônia.
ii) Caminhar até o altar para participar da liturgia eucarística (ministros ordenados)
A concelebração litúrgica é recomendada pela IGMR na Missa crismal e na noite da Ceia do Senhor; na que se celebre os Concílios, nas reuniões dos bispos e nos sínodos, na missa conventual e principalmente nas igrejas e oratórios; assim como na qual se celebre qualquer tipo de encontro de sacerdotes (n. 199; 203).” Portanto, parece conveniente que o espaço litúrgico de um templo como o que estamos descrevendo contemple essa possibilidade.
Os sacerdotes dirigem-se, depois da veneração do altar na procissão inicial, para seus lugares no presbitério (n. 210). Quando começa a oração eucarística, caminham para o altar e permanecem junto a ele, sem impedir o desenvolvimento dos ritos ou o ministério do diácono, ou que a ação sagrada seja bem presenciada pelos fiéis (n. 215). Na comunhão, consomem as espécies sagradas, aproximando-se um após o outro do centro do altar ou do lugar que ocuparam durante a anáfora (n. 248-249).
Iii) Dirigir-se ao templo e sair dele
O Ordo Missae começa com duas palavras que são significativas não apenas do ponto de vista teológico, mas prático: populo congregato (“Tendo-se reunido o povo”: Ordo Missae, n. 1).
O povo chega ao templo respondendo à convocação divina, ocupando seus lugares na nave. Realiza um caminho que os leva de diversos pontos do mundo até um lugar comum. Uma vez nas imediações do edifício, o caminho de acesso ao interior é acompanhado por diversos elementos arquitetônicos que tradicionalmente possuem valor simbólico: o volume exterior e a fachada, o átrio e a porta. Transmitem a quem se aproxima de suas imediações, através das imagens, uma mensagem de salvação. Poder-se-iam citar muitos e nobres exemplos arquitetônicos de fachada-entrada.
Na cidade de Barcelona, ergue-se o Templo Expiatório da Sagrada Família, obra imortal de Antonio Gaudí. Suas fachadas, pórticos e aparência exterior constituem uma eloquente representação icônica construída do mistério cristão. Algo similar pode-se dizer de tantas catedrais dispersas ao longo da geografia europeia, como a de Amiens (figura 6). No Brasil, podemos citar a Fachada da Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, Brasília-DF, onde os fiéis são recepcionados por quatro grandes esculturas em bronze representando os quatro evangelistas, e em seguida atravessam um corredor escuro que leva ao interior do templo, repleto de luz, projetado pelos vitrais que fazem o fechamento de toda a igreja (figura 7).
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27 Convém que tenha lugar a concelebração na paróquia quando o bispo preside, de modo particular, na ocasião da visita pastoral e na posse do novo pároco (Cerimonial dos Bispos, n. 171; 1181; 1187).
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Do ponto de vista prático, os acessos deverão permitir uma cômoda entrada e saída dos fiéis, também para as pessoas com necessidades especiais. Do ponto de vista teológico, é grande o valor desse ambiente simbólico de acesso também como espaço para a liturgia, como veremos mais adiante em outras celebrações.
